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terça-feira, 24 de junho de 2014

Quiçá

Com 2 Comentarios
Talvez exista um ser além desses espaços (in) finitos.
Quiçá, quem sabe, exista alguém além das projeções da minha mente.

Além do tempo, das estações, além do céu.

E o perfume das flores?

Quem sabe não tenha sido derramado por alguém, ansioso para ver a satisfação daqueles a quem ama...
Talvez?

Um construtor de jardins que separa a luz das trevas, e do caos faz um ambiente organizado para que este seja a casa do enamorado dele, um lugar de espera e encontro, uma morada para abrigar o ser amado.

Os pássaros cantam a vida e a vida conta as histórias dos assovios. Frutas em profusão; belezas raras nas profundezas dos oceanos. Lugares edílicos e desejados, o porquê disso?

Será que existe um ser que cria moradas para receber aqueles por quem nutre amor?

Que recria laços a fim de exaltar e cantar o amor que sente?

Que muda a alma de casa para morar na casa do ser que ama?

Talvez exista um ser que deseja fazer morada e ser moradia.

Talvez...

Adriano Alves.

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2 comentários :

  1. “Talvez exista um ser além desses espaços (in) finitos”.
    Há um desejo generalizado no ser humano, é o desejo de que a vida não seja só imanência, ele quer ser mais do que pó, quer a eternidade. Ante tal ânsia ele deseja que exista alguém “além”. Alguém além da vida, além da morte, além da fé. Alguém que o faço mais do que um mero ser biológico finito. Na falta de certezas, ele, o ser humano, convive que um grande “talvez”.
    “Quiçá, quem sabe, exista alguém além das projeções da minha mente.”
    Todavia, o desejo que norteia tal busca, quer um ser individual e não projetado, inventado, desenho, rascunhado. O ser humano quer um ser distinto das ilusões inerentes à parca razão que o guia.
    “Além do tempo, das estações, além do céu.”
    O tempo é aquele que mata o homem mortal, o homem deseja um ‘ser-além’ que não seja devorado por ele, o tempo.
    “E o perfume das flores?
    Quem sabe não tenha sido derramado por alguém, ansioso para ver a satisfação daqueles a quem ama...
    Talvez?”
    Na vontade de significar a vida, o ser humano não aceita que o perfume das flores seja obra do acaso, nada disso, ele deseja que tenha sido obra de um ser amante, que quer presentear o objeto de amor dele.
    “Um construtor de jardins que separa a luz das trevas, e do caos faz um ambiente organizado para que este seja a casa do enamorado dele, um lugar de espera e encontro, uma morada para abrigar o ser amado.”
    O ser humano deseja um ser distinto de si, não projetado, mas um ser que saiba o labutar diário de construir espaços de encontros. Que entenda os processos de cultivo de jardins e o preço que custa esperar os resultados do trabalho, ou seja, ele deseja um ser que entre na vida diária e seja construtor de casas, um lugar para voltar ao fim da tarde.
    “Os pássaros cantam a vida e a vida conta as histórias dos assovios. Frutas em profusão; belezas raras nas profundezas dos oceanos. Lugares edílicos e desejados, o porquê disso?”
    Qual sentido das várias espécies do mundo? Porque a beleza que elas carregam perecerá? Qual razão de lugares tão belos, já que a vida dura só um momento? Talvez, e só talvez, seja um reflexo do lugar que o ser construtor esteja preparando para o imanente desejoso de transcendência.

    “Será que existe um ser que ria moradas para receber aqueles por quem nutre amor?

    Que recria laços a fim de exaltar e cantar o amor que sente?

    Que muda a alma de casa para morar na casa do ser que ama?

    Talvez exista um ser que deseja fazer morada e ser moradia.

    Talvez...”
    Caso exista um ser além-vida, ele é, segundo o poema, o amante por excelência, haja vista imprimir todo esforço que lhe é possível para morar com aquele a quem ama.
    Ele teria a capacidade de mudar de morada?
    Quem sabe já o tenha feito 2.000 vezes nos últimos dois minutos.


    Este é um poema que produz um "quiçá" cheio de catarse.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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