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terça-feira, 24 de junho de 2014

Saltos...

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O sonido era ouvido todas as noites no mesmo horário e na mesma esquina. O salto dela era curto, por isso sempre aterrissava no mesmo lugar. Na cama, os homens pediam pra ela não tirar o salto. Assim, ela só tirava o salto quando voltava para casa com a bolsa cheia, mas a alma vazia por não conseguir saltar daquela vida. 

Até que um dia um bilhete anônimo salto-lhe aos olhos com os seguintes dizeres: "Um dia, Maria Madalena, saltou da vida que levava e hoje chora com você em cada esquina, em cada cama." Lágrimas saltitantes escorriam pela face, desnudando rugas cobertas pela maquiagem. Destarte, uma nova vida começou a saltar e os antigos saltos ela abandonou.

Passados alguns anos ela morreu de pneumonia, pois andou muito tempo descalça pelas ruas, na tentativa de recolher outros saltos para que outras pudessem saltar.

Adriano Alves.

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