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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Jovens, casamento à vista!

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Nestes tempos modernos, é difícil conceber a possibilidade de qualquer outra razão para casar-se sem basear-se em um romance. O editor de uma revista americana após deparar-se com um autor que proferiu: “Mas você não vê, meu velho, que não se casa por romance”... O editor, sem pestanejar, interrompeu indagando: “Bem, então por que diabo deveria se casar”?
           
Quando falamos em romance - temos como referência alguns amores que não se realizaram. A saber, a linda história que retrata a morte de Romeu e Julieta. Na realidade, sabemos que se eles tivessem sobrevivido e se casado, iriam se contristar inúmeras vezes um com o outro. D. Quixote expressou de forma delirante um amor cortês pela inexistente Dulcinéia. Se D. Quixote tivesse mantido a lucidez, pode ser que tivesse consciência de que projetou uma imagem sublime sobre uma simples camponesa. Mas é precisamente nessas histórias que reside à fraqueza desse modo de vida. Por quê? Porque eram apenas romances!
            
O escritor Denis de Rougemont diz que estamos falhando miseravelmente em uma das mais patológicas experiências que uma sociedade civilizada jamais imaginou, isto é, basear o casamento, que é fundamentalmente durável, no romance, que é uma fantasia passageira. Lógico que, quando se fala em romance, fala-se de um modo de vida que não coincide com a real-idade. Haja vista, o termo “romance” deriva da palavra francesa romam, que significa ao mesmo tempo uma novela ou uma história no estilo provençal do sul da frança. Portanto, não dá para construir uma vida a dois, simplesmente, baseada em novelas, projeções, etc., pois o romance, em sua gênese, está endereçado à imagem do outro e não ao seu ser verdadeiro.
           
“Bem, então por que diabo deveria se casar?". Porque casamento tem a ver com parceria, amizade, tolerância; não se resume em experiências de êxtase. Casa-mento é um lugar onde personagens saem de cena para pessoas se encontrarem.  Casamento, já dizia o teólogo Ed René Kivitz: “tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, [...]”. É nesta mesa que o pão é partido juntamente com as projeções - e que ao erguer a taça (com um bom vinho, ou, um pouco de água), diferenças sejam brindadas.

Afinal: Jovens, casamento à vista! E não, simplesmente, “romances” vistos!

Adriano Alves

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