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terça-feira, 16 de junho de 2015

Sopa de Mãe...

Com 1 Comentario
Com ela todo inverno era quente. A eternidade era cozinhada em caldo de feijão. Em instantes ela dizia: "Está pronto! Comam enquanto está quente". Dessa forma a eternidade era derramada em pratos fundos.
Ela nos ensinava através daquela sopa que o que é eterno não cabe no que é raso.

Adriano Alves

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Um comentário :

  1. “Com ela todo inverno era quente. A eternidade era cozinhada em caldo de feijão. Em instantes ela dizia: "Está pronto! Comam enquanto está quente". Dessa forma a eternidade era derramada em pratos fundos.
    Ela nos ensinava através daquela sopa que o que é eterno não cabe no que é raso.”

    Não é comum as pessoas gostaria de paradoxos. A maioria gosta do que é padronizado e sem mutação. Esquemas são sempre seguros. Os paradoxos são contrários às crenças ordinárias e imediatas.
    Porém, que paradoxo mais lindo no começo do poema: “Com ela todo inverno era quente”, como assim? O inverno é sempre frio! Mas, o poema diz que com a pessoa amada, o mais frio dos invernos é aquecido em sopas eternas de amor com cheiro de feijão.

    A eternidade é uma comida que deve ser degustada quente, por isso o poema coloca na boca da amada: “Está pronto! Comam enquanto está quente”. Só a fome mostra a profundida de sopa feita com amor. A Fome e a morte refazem nossas tolas suposições. Na fome lutamos pela comida, na morte lutamos pela vida. Onde mora a vida? Talvez em pratos fundos que recebem a eternidade em forma de sopa de mãe, de pai, de amigo, de Deus ou de vida.
    Eternidade e sopa feita com amor, não cabem no que é raso, uma vez que “através daquela sopa (percebemos) que o que é eterno não cabe no que é raso.” O poema tenta ensinar o eterno que se manifesta no transitório e mais uma vez ressalta lindeza de alguns paradoxos.
    Que vontade de degustar esta sopa!

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