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terça-feira, 8 de setembro de 2015

No balançar da vida.

Com 2 Comentarios
Dia após dia ela sentava naquele balanço para tentar se acostumar com a vida.
Sim...  Com a vida!
Ou você vai me dizer que sua vida não balança? 

Adriano Alves.

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2 comentários :

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  2. Há, em toda espécie de ser vivo, o instinto de sobrevivência. Os seres vivos lutam para viver. Tal luta é uma constante diária. Esta verdade parece está expressa quando o texto diz: “Dia após dia ela sentava naquele balanço para tentar se acostumar com a vida”, ou seja, há uma luta diária para viver ou pelo se acostumar a viver.
    Há pessoas que se acostumaram com a morte, por isso nada é vivo na vida delas. No texto notamos uma personagem que quer a vida, ainda que isso a leve a morte, ela quer, dia após dia, ainda que acostumada, a vida do jeito que ela é.
    Uma questão, entre várias, que se destaca na mente, ao ler este texto, é: quem é “ela”?
    Ou seja, “ela” tem rosto? Tem nome?
    Às vezes penso que “ela” seja a própria vida que não quer morrer.
    Em outras vezes acredito que “ela” seja a morte que não sabe viver sem matar.
    Quem sabe “ela” seja uma mulher que não aceita a vida ou que não se acostumou com ideia de que a vida é o fato bruto que se apresenta todo dia.
    “Ela” pode ser uma saudade de viver aquilo que só vive na lembrança de quem se lembra de uma vida que se foi.
    São tantas “elas” que tentam acostumar-se com a vida, mas a vida é algo difícil para se acostumar. Ela, a vida, é fácil de desejar. Porém este desejo não muda quem ela é: dura. A vida é dura e dura muito pouco, por isso não há tempo para amolecê-la.
    Uma coisa “ela” não é: adulta, ora nunca vejo adultos em balanços. Vejo-os balançados pela vida, nunca de forma ponderada. Obviamente me refiro aos adultos que são abestalhados e sem a vida de criança necessária para se viver a vida.
    Muita gente foge da vida. Porém, “ela” constantemente, senta-se naquele balanço para refletir sobre a vida. Viver é mais difícil do que morrer. Por qual motivo? Ora a vida é cheia de vivacidade que poucos olhos enxergam, ou seja, viver requer a capacidade de descobrir onde a vida reside. Já a morte é um fato cinzento e certeiro, em outras palavras, a morte é uma não vida. Às vezes a morte se disfarça de vida só para matar a vida de verdade. Entretanto o texto convida a um balanço para se acostumar com a vida de fato.
    “você vai me dizer que sua vida não balança?
    Sim, minha vida balança e muito. Porém ela balança de três formas distintas, mas que se tangenciam.
    1) Às vezes minha vida balança porque foi empurrada, ou seja, fatores externos alteram a forma original dela. A morte de alguém amado, brigas com pessoas que me amam, a alegria de quem eu não gosta e etc. este aspecto é negativo.
    2) algumas vezes minha vida balança como quem brinca em balanço. Os fatores externos são as molas que impulsionam este balançar, mas agora com uma forma extremamente positiva. É a companhia de amigos, uma noite de pizzas, uma disputa no vídeo game, cinema, um bom livro e por vai. Nesta balançar a vida é criança feliz.
    3) outras vezes minha vida balança por balançar, ou seja, ela gosta da dança. Ora, toda dança é um balançar, e minha vida por vezes só quer dançar a música diária. Quem sabe até se acostumar com tantos ritmos .
    As três expressões do balançar da minha vida, vivem em constante diálogo, uma vez que ela é como alguém sentado em um balanço. Por vezes ela está parada no meio, em outro momento os pés estão acima da cabeça, como que, querendo voar. Depois os pés apontam para chão, enquanto a cabeça está sobre tudo, nesta hora a alegria nos faz amar o balançar. Aqui pode residir a maior provocação do texto, quer dizer, parece que ele diz o seguinte: a vida é dura, requer muita reflexão para que ao menos fiquemos mais acostumados com ela, porém ela é como um balanço, meio – alto - meio- alto outra vez - meio- alto- alto outra vez - meio – alto - meio- alto outra vez - meio- alto- alto outra vez ...
    Neste balançar ela é verdadeira, intensa, ruim, boa, triste, feliz, preciosa, desprezível, tudo, nada, ela é a vida real.
    Necessitamos ter a coragem que “ela” tem, uma vez que: “Dia após dia ela sentava naquele balanço para tentar se acostumar com a vida.” Quem brinca de balançar sabe que é arriscado, mas é uma delícia. Assim é a vida.

    “você vai me dizer que sua vida não balança?”

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