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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Linha-Verde

Com 2 Comentarios

"Buscou nas estações a face, metrô"
O enamorado busca em diversas faces uma única, não é a toa que a pluralidade deixa o olhar dele turvo. Será que é ela ali? "Em qual estação ela foi parar?". 
O olhar dele procura na multidão um único olhar. 
Lá fora um calor imenso, mas ele está em outra estação, o frio na barriga denota isso.
Ele anseia para que a primavera aconteça numa dessas estações linha-verde. 
Quem sabe na Ana Rosa?

Adriano Alves
Inspirado na poesia de
João Batista. 

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2 comentários :

  1. Quem é esta personagem que vive em linha reta? Alguém diga para ela que a vida faz curva! Peçam para que ela saia da linha verde.
    Para que viver em um único caminho sempre? Na mesma paixão? Na mesma visão?
    A personagem busca uma face única na pluralidade, mas se a face é única, ela deve ser procurada na singularidade. Buscar traços de quem é singular na pluralidade é, na verdade, subtrair de quem é singular este atributo tão único. A personagem não sabe reconhecer a singularidade, é por isso que “O olhar dele (a) procura na multidão um único olhar.” A multidão é a replica do mesmo que se repete.
    Realmente a personagem está em outra estação, mas sempre em linha reta, ou seja, as estações se repetem sempre. É o mesmo drama, a mesma conversa chata, o mesmo lamentar, as mesmas sonoridades, é sempre mais do mesmo. O poema aponta que ela sempre está do lado de dentro, mas a primavera está lá fora. Mas ela não quer ir atrás, ou seja, busca, mas sem querer sair do lugar, que incoerência. É por isso que “ Ele (a) anseia para que a primavera aconteça numa dessas estações linha-verde. Quem sabe na Ana Rosa?”, ou seja, quer prender a primavera na mesma linha verde que ela vive. Quer matar as possibilidades de curvas.
    A vida em linha reta carrega apenas duas cores, segundo o poema, verde e rosa.
    Em um mundo de cores, duas é tão pouco. A vida precisa de baldeações.

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  2. Todos os dias, eu vejo esta imagem ao tomar o metrô. Nada vejo, demais nela, porém, chega-me este poeta e revela o que estava oculto aos meus, ou seja, a vida é como um metrô que vai e vem nas estações.
    Às vezes estamos no alto do Ipiranga, no alto da saúde, no alto da beleza, no alto do otimismo, no alto da vida profissional e etc.
    Mas, a vida passa, também, por momentos de imigração. Sim, às vezes temos que deixar lugares e caminhar em direção a outros.
    Não é possível viver dentro de chácaras sem o risco de perder a vida. Precisamos de “Anas”, que para nós são como rosas valiosas, para viver bem. “Anas”, “Marias”, “pedros”, amigos, pessoas, sim, precisamos de relacionamentos para que a nossa vida corra bem. Assim poderemos experimentar um pouco do paraíso ao sabor de brigadeiro no vão do Masp.
    No vai-e-vem deste trem, o entusiasmo, por vezes, falta, mas haverá sempre consolação, esperança, saída, movimento.
    Do alto da consolação, podemos avistar a Ana, nossa rosa, com sabor de brigadeiro e desta altura migrar em direção a ela e, depois, quem sabe, alugar uma chácara e mergulhar de vez no paraíso.

    Que vontade de cantar:

    “Mande notícias do mundo de lá
    Diz quem fica
    Me dê um abraço, venha me apertar
    Tô chegando
    Coisa que gosto é poder partir
    Sem ter planos
    Melhor ainda é poder voltar
    Quando quero

    Todos os dias é um vai-e-vem
    A vida se repete na estação
    Tem gente que chega pra ficar
    Tem gente que vai pra nunca mais
    Tem gente que vem e quer voltar
    Tem gente que vai e quer ficar
    Tem gente que veio só olhar
    Tem gente a sorrir e a chorar
    E assim, chegar e partir

    São só dois lados
    Da mesma viagem
    O trem que chega
    É o mesmo trem da partida
    A hora do encontro
    É também de despedida
    A plataforma dessa estação
    É a vida desse meu lugar
    É a vida desse meu lugar
    É a vida”

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