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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Lua vermelha!

Com 1 Comentario


Para alguns ela simbolizava o fim dos tempos.
Para outros a cor avermelhada se deve aos raios de sol.
Para o poeta ela era apenas uma dama de vermelho que adentrou a noite cheia de brilho e sensualidade.
Que espetáculo!...
Entre diversos pontos de vistas, imploro por um, quem a avistou trocando de roupa?


Adriano Alves. 

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Um comentário :


  1. A ciência e a religião carregam uma semelhança entre si. Ambas acreditam que podem revelar a verdade. Aquela empiricamente, por meio de métodos e observações. Esta por meio da fé em seres além-mundo ou fenômenos espirituais. Cada uma delas possuem argumentos fortíssimos para defender a “verdade” que acreditam. Quando a ciência é levada ao extremo, pode gerar um ceticismo exagerado e sem consciência de que há mais coisas entre o céu e a terra (Shakespeare). Quando religião é levada ao extremo, cria fanáticos e pessoas que não sabem o que a vida representa.
    Estes dois fenômenos humanos (ciência e religião) querem ter resposta para os enigmas da vida. Porém, na busca pelas respostas, ambos perdem a capacidade de parar e se deixar assombrar. A ciência não se assombra, porque acha que tudo é explicável. A religião não se assombra, porque acha que é coisa determinada por divindades. E assim, as duas, são incapazes de admirar, contemplar, devorar, degustar e viver a vida como fato admirável.
    Neste sentido, ser poeta é navegar sobre a ciência e a religião. O poeta nunca ver pedras, ele sabe que existe algo escondido atrás delas. Para ser poeta é preciso ir além de tudo. Além da dor, só para saber o que é doer de verdade. Além da vida, só para entender o que é viver. Ir além das explicações só para explicar como se fosse a primeira vez.
    A lua de sangue é um fenômeno cheio de histórias: “Para alguns ela simbolizava o fim dos tempos.” Estes são os religiosos místicos que são incapazes de ver beleza, mas somente prelúdios do fim do mundo. O mundo é cheio de religiosos que não sabem ver a vida dentro da vida. “Para outros a cor avermelhada se deve aos raios de sol.” Estes são os da ciência que só enxergam lógica em tudo e nada pode ser misterioso. A vida é repleta de cientistas. Você é um deles?
    O poeta tem outra forma de ser gente, ele refuta para afirmar e afirma para refutar. Enquanto muitos olham a lua como sinal do fim ou como mero satélite que reflete a luz do sol, o poeta a ver como uma dama. Que coisa linda! O poeta não explica nem a interpreta a lua de sangue, ele a contempla, come com os olhos. Ora, uma dama de vermelho e sensual desperta o desejo, mas, segundo o poema, somente do poeta. Aqui reside uma verdade: a religião e a ciência podem acabar com o desejo. Que coisa horrível não ter mais desejo. Desejo de nadar ao sabor das águas. Desejo de olhar a lua de sangue sem explicações ou prenúncios do fim, Mas olhar Somente para admirar a dama que sensualiza com um vestido vermelho que causa a ereção de todos os membros de quem a observa. Somente o poeta consegue ver uma dama tão “GOSTOSA” assim. Dá uma vontade de comê-la com os olhos! Penso que esta dama está dando mole para o poeta. Que lua “safadinha”, vestida de vermelha e toda sensual, assim fica difícil não olhar.
    As cores que a lua reflete na terra, para o poeta, são as indumentárias dela. Quando o poema diz: “quem a avistou trocando de roupa?” é isso que ele quer dizer, ou seja, a lua é uma dama vaidosa que troca de roupa para chamar a atenção. Parece-me que ela gosta de fazer no escurinho, já notaram que ela só aparece a noite?
    Há um lamento, também, não fala do poeta. Ele expressa assim: “Entre diversos pontos de vistas, imploro por um, quem a avistou trocando de roupa?”, ou seja, será que ninguém notou o espetáculo? A lua está se exibindo, flertando, dando entrada e ninguém ver. Implorar para que vejam a dama de vermelho é gritar que há uma cegueira nos olhos de quem acredita ver tudo do jeito que se apresenta. Tantas visões que não enxergam que ela colocou uma roupa nova?
    Mas, o poeta nos chama a atenção para algo que acontece na cara de todos, mas que poucos podem ver: a lua troca de roupa. Que coisa extraordinária, vai que uma hora dessas a gente pega ela pelada!
    Cara que vontade de ver a lua trocando de roupas, mandar um “Psiu”, gritar “gostosa” ou um “acabe não mundão” ou ainda “ê lá em casa”.
    Será que ela faz um Striptease só para mim?

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