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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Mu-dança...

Com 1 Comentario
Um dia nós fomos dança, harmonia, passos e compasso.
Onde foi parar aquela canção?

O que restou de nós?
Mu-dança...

E assim tudo se fez sombra de um passado.


Adriano Alves 

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Um comentário :

  1. “Um dia nós fomos dança, harmonia, passos e compasso.”
    O termo “um”, no poema, é um artigo indefinido. O poema parece dizer que aquele “um dia” está muito longe no passado. E isso não permite mais dança e sem dança a harmonia perde o passo e arruína o compasso.

    É interessante e atormentador notar que um dia, quem foi dança, harmonia, passos e compasso, pode chegar a um momento onde a canção já não canta. É por isso que se deve valorizar a dança que se dança com quem amamos. A vida é dança.
    Às vezes a vida fica cheia de artigos indefinidos. É UM não sei o que? UMA dor de existir que vem de sabe lá onde. UNS dias sem fim. UMAS coisas sem sentido. Para viver com elegância em meio a tantos artigos indefinidos é preciso ter na memória, as danças que dançávamos com os amigos, com os namorados (as), com os pais, com os filhos etc., é isso que ajuda a encarar mais dia onde dança estar sem ritmo.
    Onde foi parar aquela canção? Ela está na memória como um tesouro que pode ser revisitado a qualquer momento.
    O que restou de nós? Restou a réstia que a lembrança insiste em não esquecer e ao fechar os olhos, ouve-se o convite para mais uma dança.
    Mu-dança... Às vezes a música parece muda para quem não sabe o encanto de ter um parceiro que sabe nossa harmonia, nosso passo e nosso compasso. A mudez da dança é coisa que exige mudança de quem a ver de longe. Para quem tem na memória uma dança tão bela, a música não fica muda nunca e é por isso que tudo se fez sombra de um, ou seja, uma harmonia tão profunda que transforma dois plurais em um singular.
    Conceda-me o prazer de mais uma dança!

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