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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Gaia

Com 1 Comentario

Morto (a), certa feita, enterraram-me nela.
Em segundos eu renasci.
Sou filho (a) de gaia! 
Quem disse que o "chão" é o final?

Adriano Alves
#mãeterra

+1

Um comentário :

  1. Morrer é uma droga, ninguém discordará disso. Eu tenho sérios problemas com a morte. Eu desejo que ela morra. Discordo com a forma que ela trata as pessoas. Ela é tão sem vida que mata tudo no corpo de quem morre. O sorriso único. O cheiro gostoso de corpo. O calor intenso que, quem está vivo emana. A morte não toma jeito e continua matando.
    Há uma personagem, no poema, que diz ter sido morto e um dia qualquer. Todavia, a forma como está escrito “Morto (A)”, sugere que quem morre não pode ser definido como masculino ou feminino, ou seja, o “morto” é tudo que a morte mata. Pode ser um filho que ao morrer leva a família toda. Um grande amigo que deixa um buraco profundíssimo. Um bichinho de estimação, gatinho, cachorro, passarinhos etc., como dói perder um bichinho de estimação. Quando os seres que amamos são mortes pela morte, ela, a morte, mata muito mais do que os corpos deles.
    É por isso que o poema diz: “enterraram-me nela.” Aqui pode ser lido de duas formas, o pronome “nela” pode significar a cova onde se enterram os corpos mortos ou pode significar que somos enterrados na pessoa ou no bichinho que morre. Isso é lindo, uma vez que somos seremos que vivemos dentro de outros seres e temos outros vivendo dentro de nós. Somos enterrados juntos com quem amamos, quando este é morto. Quando acontece isso? Veja a resposta no poema: “certa feita”! esta indeterminação é universal.
    O poema a anuncia uma boa nova excelente, para renascer é preciso morrer, pensando de forma literária e não literal. Quando ele diz: “Morto (a), certa feita, enterraram-me nela. Em segundos eu renasci.”, parece sugerir que, a morte de quem amamos fala tudo que a vida não sabe dizer. É como acordar de um sonho e notar que a realidade é outra. Renascer tem a ideia de sair do ventre ou da terra. Caso seja verdade, olhar a cova onde jaz o corpo de quem amamos, torno-nos cônscios de que fomos enterrados lá, mas que a nova mentalidade diante da vida parece ser um renascimento. Passa-se a olhar a vida com mais atenção. Renascer não demora muito e poema revela isso quando expressa: “Em segundos eu renasci.” A personagem renasce como FILHO da terra (Gaia) e nela ele é gente, tem terra, lugar, vida, saudade, medo, sonhos, frustrações ...
    Pode-se dizer em alto tom: “Sou filho (a) de gaia!” e até “sou filho/filha da vida”, é uma zombaria com a morte kkkkkkkk ela só pode matar o corpo. Quem morre vive em nós, uauuuuuuuuuuuuuuuuuuu
    Gaia pode ser a mãe que se tem sobre a terra. Existem mães que são mais do que biológicas, além da terra, além do pó e além da morte!
    “Quem disso que o “chão” (cova) é o final?”, este pergunta expressa algo que faz o ser humano ter forças para levantar a tocar a vida. Sem este algo não há motivos para viver e quando não se tem motivos para viver, chegam os motivos para morrer. O poema quer dizer que, mesmo diante das agruras da vida, das perdas, da falta da mãe ao lado, do pai, do amigo, do irmão, da irmã, que foram levados pela morte, é preciso ter ESPERANÇA, uma vez que, “Quem disso que o “chão” (cova) é o final?”. Já que esperança é esperar, espero que o poema esteja com a razão.

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