Onde a poesia tem cheiro de café...

sábado, 5 de dezembro de 2015

Eí vida...

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Da janela de casa eu avistava a vida correndo: ela era gordinha, estatura ainda baixa, mas como aquela vida já cantava alto. Cantava funk, cantava brincadeiras, cantava até mesmo em silêncio... Entre tantos cantos aquela vida, por vezes, buscava um canto para se esconder da avó que a cada minuto a chamava. Agora tudo se fez silêncio, no canto da minha janela não tem mais canto.
Eí vida, cadê  você?
Por que partiu tão cedo?
Em qual janela você foi parar?

Adriano Alves.

In Memoriam: Garoto Lucas que tinha apenas 11 anos - atropelado por um motorista embriagado. 

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Um comentário :

  1. Esse tipo de golpe é uma inferno. Sobre isso Miguel Falabella diz:

    "A dor Confunde, Embaralha as ideias e acelera o sistema. Eu entrei no apartamento, depois de
    tentar comer um sanduíche que abandonei pela metade. Entrei no apartamento, avancei pelo
    corredor, sempre incapaz de lembrar que interruptor acende o quê, e o telefone tocou. Era meu
    sobrinho — os olhos buscam o relógio, uma e tanto da manhã, o cérebro manda um pequeno
    aviso, como aquele leve tremor que antecede ao cataclismo — penso em meu irmão e afasto a
    ideia, com uma sacudida de cabeça.
    — Tio — ele foi dizendo, com a voz pesada. — Aconteceu uma coisa com o vovô...
    Lá vai o maldito gato subindo no telhado e a metade do sanduíche que eu comi incha como
    um balão no estômago.
    — Ele morreu? — eu engoli o ar depressa demais.
    — Acho que morreu, tio. A Marilene ligou e...
    Ele fez uma pausa para que eu preenchesse as lacunas, como um daqueles testes que fazemos
    na infância.
    A primeira coisa que chegou foi o cheiro, o cheiro da toca, aninhado em seus braços, ele me
    carregando escada acima. O cheiro da pele misturado a algum produto de cabelo. O cheiro e a
    lembrança do abandono a que nos permitimos, quando estamos nos braços seguros de alguém.
    Desliguei o telefone e, antes de chegar à porta do quarto, veio o primeiro abalo.
    Estou nadando o mais depressa que posso, estou tentando cortar as águas com velocidade,
    tentando não virar a cabeça e conferir a situação dos rivais, pois isso vai me roubar um tempo
    precioso. Ele está lá, o cabelo escuro, o cronômetro nas mãos, agachado no final da raia. O
    dia morria nos céus de São Cristóvão e as luzes do parque aquático iam se acendendo,
    conferindo um brilho especial ao azul da água. Eu não venci, no final das contas."

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