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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Memória do cheiro

Com 1 Comentario
Um perfume desenhou as feições que o rosto dela expressava no tempo de amor, somente. Havia tanta vida quando nossas vidas viviam juntas. A casa era dela! Certo dia, com as malas prontas, partiu para uma terra distante. Existem quilômetros de distância nestes trezentos metros que nos separa. Um perfume lembrou ao meu olfato de que o cheiro da presença é memória, somente! Amor subvertido, no chão, no canto, no pranto, na ausência... pois é! Um perfume me disse que por onde andar, eu tenho o cheiro dela na memória olfativa que deseja o cheiro da pele na proximidade de quem ama juntinho. Um perfume, uma vida, um amor, um coração quebrado, um coração indiferente... Não deu! Lá fora um grilo canta uma serenata para algum amor. Cuidado grilo, o amor é cheio de dor que dói de tanto amor dolorido que sente. Olhar o sol indo dormir do portão de casa e no coração o desejo de ver os contornos dela ao longe vindo para casa, a casa dela. O perfume dela combina tanto com minha saudade. Um perfume perfumou o metrô e meus olhos a buscaram no cheiro parecido, mas foi apenas isso! Nem mais nem menos. Resto de uma saudade, o cheiro do perfume dela.

João Batista.

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Um comentário :

  1. Todos sabem que olfato é um dos cinco sentidos. É pelo olfato que o homem, assim como os demais animais, percebe diferentes odores. As células olfativas do ser humano são, apesar de não serem tão desenvolvidas, sensíveis a uma gama de odores diferentes. Sentimos emoções diversas a partir do cheiro que sentimos. Se for um perfume delicioso na pele de quem desejamos, nossa que delícia. Porém se a mesma pessoa que desejamos tem halitose, credo que horror.
    O olfato está relacionado, também, ao paladar. Pessoas que perdem o olfato têm uma diminuição na intensidade das sensações antes agradáveis, como comer, ou fazer sexo. Deve ser a pior coisa do mundo não sentir o cheiro das coisas. Não sentir o cheiro do café que vem nos enfeitiçar. Não sentir o cheiro da pessoa que amamos quando somos abraçados por ela. Que coisa terrível deve ser não sentir o cheiro da comida feita pela mãe, pelo pai, pelo amigo, pela namorada, pelo namorado... O inferno deve ser isso.
    Os cheiros fazem com que nossa memória reviva até os sabores das coisas. O texto expressa isso quando revela que um cheiro parecido com o cheiro de quem era especial, fez com que explodisse um milhão de emoções distintas. Imagens foram criadas ao sentir o perfume. É por que “Um perfume desenhou as feições que o rosto dela”. São imagens que a memória não larga. O poema reclama a falta do cheiro de alguém que era de casa, mas não é mais a realidade tangível. Neste sentido, pode-se pensar que o cheiro faz referência a pessoa por completo, ou seja, é o cheiro, a voz, o olhar, o corpo, a presença, sim, no poema o desejo é de que a pessoa esteja complemente em casa.
    O lamento que há no poema é que o cheiro é uma réstia de uma vida que não se vive mais.
    Espere um pouco, Que perfume é esse?

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