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domingo, 13 de dezembro de 2015

"Navegar é preciso".

Com 3 Comentarios


Aquela noite parecia não ter mais fim. 
Pacientemente ele pegou seu barquinho e adentrou aquele mar profundo de escuridão impulsionado por um pensamento: mesmo diante de situações obscuras - navegar é preciso.
E assim,  ele fisgou uma luz! 

Adriano Alves. 

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3 comentários :

  1. Certas noites duram o dia todo e atropelam a noite que anoitece devagar. É por isso que o poema grita: “Aquela noite parecia não ter mais fim.” Existem noites que são únicas e isso é expresso com a utilização do pronome “aquela”. Às vezes temos aquela noite que muda tudo, aquele dia que mata tudo, aquele sorriso que reluz em tudo, aquela dor que dói em tudo, aquele tudo que é cheia de nada. Como o do poema navegador, é preciso ter paciência. Assumir as falas do Chapolin, quando ele diz : “Palma, Palma, não priemos cânico”. Na fluidez da vida, precisamos de barquinhos para singrar o mar que ela, por vezes, faz-se. Navegar é imperativo. A luz da lua parece ser mais intensa em noites escuras. A luz do amor, da amizade, do casamento, da ética, da educação e luz da vida. Que luz é aquela ao longe?

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  2. A lindeza que o poema traz é absurda. O convite que ele faz é o do navegar, ou seja, não deixar a vida à deriva, mas se dispor a ser gerenciador dela. Oliver Wendall Holmes diz que “A grandeza não é onde permanecemos, mas em qual direção estamos nos movendo. Devemos navegar algumas vezes com o vento e outras vezes contra ele, mas devemos navegar, e não ficar à deriva, e nem ancorados.”
    Com uma postura assim, pode-se colocar a luz, a imagem diz isso, dentro do barquinho e rumar ao mar e remar, singrar, navegar, velejar, o mar, ah, mar! Amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar... É preciso, navegar, é preciso amar, é preciso mar? é preciso, é preciso, é preciso, é preciso... o vai-e-vem do mar, do mar, do mar, do mar, do mar ...

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  3. Escrever é ter a capacidade de gerar um mundo isento, não cem por cento, da realidade que cerca o leitor e este poema faz isso. Por exemplo: não somos, a maioria de nós, navegadores no sentido exato da palavra, ou seja, não navegamos, literalmente, os mares. Mas a genialidade do poema reside nisso, ele nos faz navegadores de um mar que se chama vida. O poema assume realidades que não fazem parte da nossa vida diária e as fazem ser nossa própria vida comum.
    A noite, no poema, pode representar as tempestades da vida. Todos nós temos tempestades que são somente nossa. O barquinho pode ser os valores que carregamos ou, também, as ideologias que temos ou, ainda, as bases que não nos deixam afundar no mar revolto da existência. Quando se diz que “navegar é preciso”, pode-se entender que é precisa seguir com a vida mesmo nas horas mais escuras dela ou da nossa alma.
    Talvez navegar seja a única forma de se viver a vida. Ora, a vida é uma a ventura da qual, segundo Bob Marley, jamais se sairá vivo. Sim é verdade, Bob Marley tinha razão, jamais sairemos vivos da aventura da vida, mas o poema diz que poderemos sair navegadores.
    E se maré não virar? Digamos os dizeres lúdicos que falam de persistência: “NÓIS CAPOTA MAIS NUM BRECA”, pois navegar é preciso!

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