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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Oh vida, oh céu!

Com 1 Comentario


Muitos fogos lançados,

Mas nenhum acende esse céu escuro. 

Adriano Alves

+1

Um comentário :

  1. Este poema é de uma profundida e tristeza incomensurável. Há um claro contraste entre a luz que ofusca e a que ilumina. Quando ele diz “Muitos fogos lançados”, parece querer dizer que esta multidão de brilhos no céu, causada pelos muitos fogos, não ilumina nada, ou seja, causa um ofuscamento da dor que alguém sente em silêncio dolorido que dói sem alarde. Todo o brilho que os fogos causam no céu físico, não ilumina o céu que o coração carrega cheio de ausência e escuridão. Muitos fogos lançados, porém a luz que emanam não acende o céu escurecido por um acontecimento que sempre acontece na vida de cada ser humano, morte.
    Quando a vida dá um nó, por vezes, desejamos que certos fogos iluminem nosso céu. O poema diz que entre muitos fogos, NENHUM acendeu o céu escurecido. Meu Deus! Isso parece à vida diária. Quantas vezes buscamos algo que acalme nosso interior e não encontramos? NADA traz a paz que foi roubada da alma enlutada. Muitos fogos, mas NENHUM ilumina. Qual o motivo? Ora, todos sabem que o brilho dos fogos é efêmero, Dura um momento. Mas o escuro que a partida de quem amamos deixa, é coisa para a vida toda.
    O que fazer? Olhar o brilho transitório dos fogos que riscam o céu e acender o céu da alma com as memórias que ressuscitem a vida de quem nós amamos. É preciso viver. Ou como já dito neste blog: navegar é preciso. Uma verdade, entre muitas, está nas entrelinhas deste poema: quando alguém que nós amamos morre, nosso amor cresceu mais a cada dia, uma vez que a saudade funciona como um fermento para ele. Fogos? Há muitos, mas o céu ainda está escuro.
    Eu choro por tantos céus escuros que olham o céu físico brilhando com fogos efêmeros.

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