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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sobre a tristeza

Com 2 Comentarios


A tristeza não suportou minha tristeza e me olhou sorrindo.


Adriano Alves.

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2 comentários :

  1. Negar a tristeza é uma atitude que se desenvolveu na cultura de tal forma que é impossível dizer que se está triste, sem que alguém faça um sermão longo sobre a felicidade da vida. Ora, a tristeza não nega a felicidade da vida, ela não ver, de certa forma, sentido pleno em exaltar a felicidade em detrimento dela mesma, ou seja, a tristeza diz que há felicidade na vida, mas que tal felicidade é, além de insípida, sem sentido quando levado em conta o layout da vida, na totalidade dela. Nesse viés, a tristeza não deve ser entendida como depressão, porém como um elemento que possibilita as transformações necessárias ao ser humano. Todavia, é preciso salientar que a tristeza não inerente ao ser humano, ela é simplesmente um fato que acontece aos efêmeros. Na verdade, ninguém pode ser definido como triste ou feliz, estes estados são somente fatos que acontecem. É por isso que não existe plenitude em nenhum desses fatos, em outras palavras, é por isso que ora estamos tristes, ora felizes.
    Pessoas felizes nunca acham que devem mudar as posturas, isso é coisa de gente triste. Somente os tristes desejam uma vida melhor, um mundo justo, um casamento firme, um namoro compromissado, etc.
    Quando o poema expressa: “A tristeza não suportou minha tristeza e me olhou sorrindo”, parece-me que o sorriso da tristeza não é um contraste a tristeza de quem ela vê tão cheio de tristeza, mas uma afirmação de que ela não sabia o que era ser triste. A tristeza estava aprendendo o que era ser triste. Portanto, o poema quer ensinar, a quem o come, a tristeza. Sim é precisa a aprender a tristeza.

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  2. [...] Tristeza será coisa que se ensine? Haverá uma pedagogia da tristeza? Estranho pensar que um professor, ao iniciar o seu dia, possa dizer para si mesmo: “Vou ensinar tristeza aos meus alunos…” Eu mesmo nunca havia pensado nisso. E todos os terapeutas, não importando a sua seita, em última instância estão envolvidos numa batalha contra a tristeza. E agora eu digo esse absurdo, que tristeza é prá ser ensinada, para fazer melhor o coração. Os poetas me entendem. A poesia nasce da tristeza. “Mas eu fico triste como um por de sol quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada como uma borboleta pela janela”, escreveu Alberto Caeiro. E conclui: “Mas minha tristeza é sossego porque é natural e justa e é o que deve estar na alma…” Tristeza natural e justa, que deve estar na alma! Num outro lugar Fernando Pessoa escreveu algo mais ou menos assim: “Ah! A imensa felicidade de não precisar de estar alegre…” Existe uma perturbação psicológica ainda não identificada como doença. Ela aparece num tipo a que dei o nome de “o alegrinho”. O alegrinho é aquela pessoa que está, o tempo todo, esbanjando alegria, dizendo coisas engraçadas, e querendo que os outros riam. Ele é um flagelo divino. Perto dele ninguém tem a liberdade de estar triste. Perto dele todo mundo precisa estar alegre… Porque ele não consegue estar triste, o alegrinho não consegue ouvir a beleza dos noturnos de Chopin, nem sentir as sutilezas da poesia da Sophia de Mello Breyner Andressen e nem gozar o silêncio da beleza do crepúsculo. Porque ele está sempre alegrinho, na sua alma não há espaço para sentir a compaixão. Para haver compaixão é preciso saber estar triste. Porque compaixão é sentir a tristeza de um outro. [...]Eu havia levado minha filha de seis anos para ver o E.T. Ao fim do filme ela chorava convulsivamente. Jantou chorando. Resolvi fazer uma brincadeira: “Vamos no jardim ver a estrelinha do E.T!” Fomos, mas o céu estava coberto de nuvens. Não se via a estrelinha do E.T. Improvisei. Corri para trás de uma árvore e disse: “O E.T. está aqui!” Ela me disse: “Não seja tolo, papai. O E.T. não existe! Contra ataquei: “Não existe? E porque você estava chorando se ele não existe?” Veio a resposta definitiva: “ Eu estava chorando porque o E.T. não existe…” Volto então à pergunta que fiz sem saber a resposta. O menino chorou ao ler a estória do patinho. Mas o patinho não existia. Minha filha chorou ao ver o filme do E. T. Mas o E.T. não existia. Pensei então que um caminho para se ensinar compaixão, que é o mesmo caminho para se ensinar a tristeza, são as artes que trazem à existência as coisas que não existem: a literatura, o cinema, o teatro. As artes produzem a beleza. E a beleza enche os olhos dágua… Como dizem as Escrituras Sagradas, “com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.””
    (ENSINANDO A TRISTEZA)
    O poema do Adriano, também, Alves kkkkkkkkkkkkk ensina a tristeza a quem o ler e, também, à própria tristeza personificada no texto, é por isso que ela olha com um sorriso no rosto, estava aprendendo a tristeza que só carregava no nome.

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