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sábado, 2 de janeiro de 2016

Feliz Ano Velho!

Com 1 Comentario
Outrora ele apreciava um sorriso que iluminava o seu céu.
Hoje, mesmo com tantos fogos, o céu é tão escuro.
Outrora ele ganhava um abraço que expressava o que as palavras não conseguiam dizer.
Hoje, por vezes, ele consulta um dicionário.
Outrora a mesa posta era semelhante a um arco-íris.
Cores e sabores eram contemplados com os olhos e com o paladar.
Hoje (quase) tudo tem um tom acinzentado e insípido.
Oh céus! 
Enquanto todos esperavam ansiosamente a chegada de mais um ano,
Ele esperava ardentemente o retorno daqueles tempos de outrora.  

Adriano Alves. 

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Um comentário :

  1. Muitas perguntas aparecem na mente quando se ler um texto tão belo e complexo. Todavia, duas são dignas de nota: O que há de tão velho no ano novo que todos festejam? O que há de tão novo no ano velho que todos parecem querer que fica para trás da vida?
    Há um tom nostálgico e dolorido ao longo do poema. Parece que ele aponta para uma realidade que é rainha de tudo que aparece na vida de quem quer o ano velho de volta. Como alguém pode viver sem o sorriso que ilumina o céu dele? Uma possível resposta é: não dar para viver assim, mas ainda é possível “fingir” que se vive. Nota-se que o poema procura, no tempo presente (ano novo), tudo que ficou no tempo passado (ano velho). Busca-se o sorriso que iluminava o céu da vida, procura-se os abraços cheios de textos que poucos sabem ler, anseia-se as cores vibrantes de arco-íris que fazia a mesa colorida. Todos querem um ano novo para não valorizar as coisas que ficaram no ano velho, mas o poema grita: “Enquanto todos esperavam ansiosamente a chegada de mais um ano, Ele esperava ardentemente o retorno daqueles tempos de outrora.” Há um tempo que nunca fica velho, mas totalmente ausente. Há uma dor que nunca envelhece, ela rejuvenesce a cada ano novo, uma vez que ela quer o ano velho que nunca vem do futuro. O desejo de viver os tempos de outrora é coisa de uma alma que sabe que nenhum ano novo é novo sem as velhas companhias que ficaram no ano velho.

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