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quarta-feira, 2 de março de 2016

Gravidez Indesejável

Com 2 Comentarios
Entregar-se ou não? Eis a questão. Entregou-se em metades por medo. Passado um mês:
Inconcebível! Uma dor no âmago de uma dúvida qualquer. Era tarde para abortar. Sentia um pulsar constante. Cólicas, enjoos, mal estar! Tentou sanar a dúvida, fez o teste: vermelho! Já era (a) feto. Alguns desejos rapidamente apareceram, o mais constante era por um cálice de paixão.

Meses se passaram:

Assumir? Um simples laço agora virou nó. E agora? Sumir? Foi ao espelho constatar as mudanças no corpo, porém, não havia mudado nada, a mudança era mesmo psicológica. Estava grávida (o) de sentimentos.
Depois de gestar por meses este (a) feto, tal, rompeu a bolsa d' água,
 E, assim, chamou-se: Eros (amor).


Adriano Alves.
Elionai Dutra.

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2 comentários :

  1. Ser poeta é ter a coragem de dizer que as palavras têm algo a dizer. Mas, o poeta nunca as diz como uma pessoa comum, ele fala tudo em nada de muito estranho ao homem comum e, estranhamente, ele refaz a semântica que morreu no dia ocorrido a todo tempo. “entregar-se ou não, que poética questão”! O que mais nobre, ler tudo sem uma leitura que sabe ler ou ler nada de uma leitura que diz tudo? Ler somente não basta. Tudo, somente?, não basta. Vida, somente?, não basta. Poeta, somente?, não basta. Este poema parece ser algo inconcebível, mas olha ele feito possibilidades! É um feto gerado com (A)FETOS que vazam toda a vida que é gerada de sentimentos cheios de vida sendo pronta para nascer. Hoje, engravido de sentimentos, de Eros, de eras, de gente, de mim, de tudo que minha gravidez pode gerar. Sim fiquei grávido e o pai é este poema. Já sinto as dores próprias desta condição. A fome é dobrada e quanto mais eu como, mais fome eu tenho. Sumir? Esse laço deu nó e meu corpo nada muda, mas tenho a paixão que arde, queimando o desafeto do (a)feto que meus sentimentos olhavam de soslaio.
    A rede de impasses que este poema gera é uma coisa que deveria ser anunciada ao mundo de muitos mundos solitários. É um evangelho da gravidez. Quem deseja ou já abortou o (a)feto? Eu já, mas estou grávido outra vez e agora estou de três meses. Agora posso ler o pai deste (a)feto é dizer que o amo. Eita, poema comedor!

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  2. Canta Gonzaguinha
    “Grávido, Porque será que um homem não pode
    querer estar estando sempre ávido
    por entender em si a semente
    que ele vê na barriga
    daquela mulher
    que passa em estado interessante
    interessante
    nove luas nove meses
    tantas transformações
    muda a pele tudo muda
    tudo vale para ter o fruto
    e de repente rebento
    abrir a porta e dar á luz
    o choro, a chama da nova vida
    reluz, atrai, seduz

    mãe como seria ter um filho
    saber passo a passo da geração
    a alegria do parto
    cuidado pela fêmea
    que a todo nós segura
    engravidado por ela
    da relação da paixão mais pura
    mãe como seria ter o filho?...”

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