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sexta-feira, 25 de março de 2016

Sobre a Páscoa

Com 1 Comentario

Ele deixou a vida perfurá-lo,
E assim nos mostrou que morrer de amor é continuar vivendo.
Afinal...
Amar tem um quê de hemorragia.

Adriano Alves

+1

Um comentário :

  1. Não, não, não, não é mentira, a vida perfura mais do que a morte. Ela não espera que a deixemos perfurar-nos, simplesmente fura. A coragem de quem vive, é continuar vivendo, apesar dos furos da vida. Não se sabe onde a vida vai dar, mas a esperança é que pelo menos saiu grávida de tal ato diário. Seja mãe e não cai doente por dar a qualquer um. Aliás, são estes furos da vida que mais incomodam, parece que ela só dá para quem não presta, ou seja, só dá para quem não merece. Será que “Ele” merecia o que a vida deu-lhe?
    Quem é este “Ele” que a vida perfurou? Claro que a linguagem teológica e a título do poema remetem ao judeu chamado Jesus. Porém, se nossa linguagem não for teológica, o que restará? Quem será “Ele” sem tal forma de falar? O que será feito dele se a linguagem não for teológica?
    “Ele deixou a vida perfurá-lo”, o motivo de tal atitude não é claro, quando usamos uma linguagem poética e aqui mora a vida da poesia, ela não diz o que algo ou alguém é, mas diz tudo aquilo pode ser. Se assim for, “Ele”, é Jesus, mas também, sou eu. É você, é um homem qualquer, uma mulher qualquer, um poema qualquer, um nada qualquer. Ora, o que importa é a atitude diante da vida que fura e não a vida.
    É possível notar que o furo que a vida fez nele, foi mortal. E o poema diz isso claramente quando diz: “E assim nos mostrou que morrer de amor é continuar vivendo”, de certa forma ele morreu. Será que foi fisicamente? Pelo poema não é assim que deve ser entendido, ou seja, é possível morrer de uma forma que a vida nunca acabe. Como? O poema diz como.
    Amar tem um quê de hemorragia, tem um quê de dor, de morrer, de viver, de não ser, de não querer, de querer, de chorar, de rir, de ir, de voltar, de entregar, de tomar de volta, de viver, de insatisfação, de satisfação, de fome, de saciedade, de alegria, de tristeza...
    Quem ama sabe que os “quês” do amor são tão perfurantes quanto à vida. A vida e o amor são exímios em deixar furos e quando eles furam, a força que ambos têm, é revelada.
    E o amor? Deu furo!
    E a vida? Deu furo!
    E você? Ainda desejo ardentemente aos dois!

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