Onde a poesia tem cheiro de café...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A-M-O-R

Com 2 Comentarios

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2 comentários :

  1. A-M-O-R
    As vogais e as consoantes, das palavras “amor”, separadas pelo traço, fazem com que sejam vistas muitas palavras, muito além do que “amor”. Cada letra é vista em universo separado do universo da outra, mas, mesmo separadas, formam a palavra amor. Isso faz pensar que o amor é uma ligação de universos distintos que formam palavras exatas, porém nunca conclusivas. A (Antes)- M (Morrer era)- O (Olhar a vida)- R (relegada ao futuro). O amor pode ser separado, entretanto sempre haverá algo para liga-lo; vejam os traços que separam as vogais e consoantes, eles ligam e formam o amor, a palavra deve ser superada.
    E assim, escrever na pele é, possivelmente, encontrar pontos de ligadura que formam o amor. Ele sabe ensinar, mas não pode ser aprendido. Quem apreendeu ou aprendeu o amor?
    O poema sugere um amor delicioso, uma vez que parece ser o amor erótico. Este amor só é possível para quem sabe que amar com o corpo (amor erótico é corporal) requer proximidade, corpos juntos.
    Que amor mais excitante é o amor erótico. Os instrumentos da escrita são o próprio corpo. Mãos deslizam as curvas do outro corpo e escrevem sensações que somente os corpos sabem o que é. Escrever na pele é deixar marcas delicadas de momentos de amor corporal e psicológico. Os corpos, os toques, as frases, os gemidos, a cama, a nudez, o sexo. O amor erótico é um escritor que recebe nossos rabiscos diários.
    Quem deseja ser alfabetizado?

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  2. Em minhas leituras, já li tratados inteiros, com muitas páginas, que nada disseram. Textos bem escritos podem ser somente isso, bem escritos. Todavia, este poema não é só escrito, ele tem muita coisa a dizer. Mas para que seja dito é preciso ouvidos que ouçam atentamente. Ele toma as palavras usais e as leva a dizer tantas coisas distintas, mas que não negam a linha que conduz a ideia interna. Discretamente, convida para uma conversa com as escritas que escrevemos ou aquelas que escreveram em nós. Ele coloca o “amor” com letras separadas, mas nunca o antecede com um artigo. Há nele, uma divisão que, paradoxalmente, é indivisível. Ele carrega segredos que somente bons diálogos poderão dirimir, porém nunca serão totalmente revelados. E assim o é, para que o convide ao diálogo seja perene. Este poema, não é burro como os livros, “todo livro é burro”, ele nunca diz a mesma coisa.
    Que descoberta mais linda: a verdade nos é dado, ainda que não somente assim, em poemas cotidianos também. Este poema decide os caminhos, ele nomeia as coisas, ele é dono de si mesmo. É um poema que tem pensamento de poema e sem este, não haveria poema ou poesia. Já que ele nos convidou ao mundo da escrita em corpos que são “nossos”, cabe perguntar: Qual o sentido da escrita? Por que escrever? Para a primeira pergunta, pode-se dizer que seja a expressão. Ao escrever algo, deseja-se expressar um pensamento, sentimentos e, até, maldades. Há coisas que precisam ser escritas e não faladas. Escrever é deixar o interior do nosso interior ‘escapulir’ para o mundo dos outros e, nas coincidências deste mundo longínquo, algumas dores são compartilhadas. Muitas alegrias são inventadas. Muitas distâncias ficam ‘inda’ mais longe.
    No que tange a segunda pergunta, deixo que você, leitor, responda a si mesmo, uma vez que, ao respondê-la, você entenderá que somente escrever algo, não bastar. A vida de corpos que escrevem diariamente um no outro, requererá, daqueles que escrevem, uma razão para tal.
    Será que escrever na pele é querer uma tatuagem que não está na moda?
    A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela é repleta de terminações nervosas capazes de captar estímulos térmicos, mecânicos ou dolorosos. O sentido do tato, diferentemente dos outros sentidos, não é encontrado em uma região específica do corpo, e sim em todas as regiões da pele. Então, quem escreve na pele de alguém ou tem alguém que escreve na pele dele, sabe que muitas sensações são possíveis. Sem leveza na escrita, a pele reage e repele a letra pesada. Sem suavidade na escrita, talvez este seja o viés principal do poema, a folha enfraquece e rasgar.

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