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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Quem nunca remendou o coração?

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Um comentário :

  1. Quando se ler um texto, uma pérola em tamanho e valor como esta, indaga-se sobre muitas coisas, mas uma indagação tem relevo sobre as demais: quantos pontos cabem na pontuação de um velho coração?
    Ora, muitas vezes o coração coloca um Ponto-e-vírgula para assinalar uma pausa maior do que a da vírgula, ele deseja descanso, paz, tranquilidade, deseja uma vida sem a vida pesada que é tão viva na vida diária.
    Outras vezes o coração usa o Dois-pontos. Ele deseja Enumerar momentos que vividos foram fugidios. Com os Dois-pontos, ele almeja escolher alternativas para bem viver. Busca citações de amigos, mãe, esposa (o), filmes ou livros, para alinhavar a vida deseja com a vida bruta de fora.
    Quando utiliza o Dois-pontos, o velho coração quer esclarecer, um pouco, a si mesmo.
    Introduzindo exemplos que signifiquem o existir.
    Não se possível enumerar quantas vezes o velho coração usa o Ponto de interrogação, quantas interrogações cabem em um coração? Diante da vida as perguntas são infinitas. Quando nos aproximamos da última curva da existência, morte, o coração vira um mundo de interrogações e no desespero, por não obter nenhuma resposta, o velho coração usa o Ponto de exclamação. Ele expressa admiração, surpresa e o assombro por saber que a vida e a morte são, sabe-se lá o que são. E por não saber, o velho coração toma como ponto, as Reticências. É por isso que ele nunca diz nada fora do ponto chamado “Aspas”. Tenta realçar tudo nele, coração. Mas não é simples assim, mesmo que ele utilize o Travessão, poucos saberão o saber do velho coração. Quem sabe um Parêntese caiba entre a vida que vai caminhando caminho abaixo, “diga lá meu coração” o que tens a dizer? O velho coração é cheio de Asteriscos. Memórias que remetem à vida onde tudo era vivo.
    Com a Vírgula, o velho coração luta no correr diária do existir. Ele utiliza a vírgula para separar elementos de natureza semelhante, discernimento. Para separar elementos repetidos, para separar palavras e expressões e escolher entre o que é digno de ouvir ou não.
    Nenhum velho coração é inteiro, sem marcas, ele é remendado. Quem nunca remendou o coração, não sabe o que é ter um coração remendado. Às vezes o remendo rasga de forma irreparável, porém apesar de tudo, é preciso remendar o coração que de velho precisa de remendos dia após dia.

    Autor do comentário: João Batista.

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